Superquarta define o ritmo: Selic cai para 14,25% e Fed mantém juros em 3,50%–3,75%
Reunião simultânea do Copom e do Fed em 17 de junho de 2026. O Banco Central brasileiro reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, dando continuidade ao ciclo gradual de flexibilização iniciado em março. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros pela quarta reunião consecutiva na faixa de 3,50% a 3,75%, em decisão unânime. Foi a primeira reunião sob o novo presidente Kevin Warsh, indicado por Donald Trump. O comunicado do Fed removeu sinalizações de cortes futuros, adotando tom mais cauteloso diante da inflação ainda acima de 2% e das incertezas geopolíticas ligadas ao conflito no Oriente Médio.
Indicadores
- Selic (após Copom de 17/06/2026): 14,25% ao ano
- Fed Funds Rate (decisão de 17/06/2026): 3,50% a 3,75% ao ano
- IPCA projetado 2026 (Boletim Focus, jun/2026): 5,3% (acima do teto de 4,5%)
- Dólar/Real (faixa de junho/2026): R$ 5,05 a R$ 5,19
Destaques
- Selic em 14,25% ao ano: terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual desde março de 2026.
- Fed mantém juros em 3,50%–3,75% pela 4ª reunião seguida e remove sinalização de cortes futuros.
- Inflação projetada pelo mercado (Focus) para 2026 está em 5,3%, acima do teto da meta de 4,5%, o que limita o ritmo de queda da Selic.
- Diferencial de juros Brasil x EUA ainda expressivo, sustentando atratividade da renda fixa local e ancoragem relativa do câmbio.
A visão da Origem
O Copom reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva em 2026, levando a taxa de 15% ao ano, pico atingido em junho de 2025, a 14,25% ao ano. O movimento é gradual e calculado: o Banco Central sinalizou que os próximos passos dependem da evolução da inflação, do câmbio e do cenário externo, sem antecipar o ritmo do ciclo. Entendemos esse compasso como saudável. Um corte de 0,25 ponto em ambiente de incerteza geopolítica e com o IPCA projetado acima do teto da meta demonstra que a autoridade monetária não abre mão da credibilidade para acelerar o afrouxamento.
Nos Estados Unidos, o Fed de Kevin Warsh estreou mantendo juros e, mais importante, retirando do comunicado qualquer linguagem que indicasse cortes à vista. O dot plot de junho aponta taxa mediana de 3,8% ao final de 2026, sugerindo que parte do comitê ainda considera uma alta. Lemos esse sinal como um fator que sustenta o diferencial de juros favorável ao Brasil, mantendo o real relativamente ancorado e os ativos de renda fixa brasileiros competitivos para o capital internacional.
Para a carteira do cliente Origem, o cenário atual reforça a lógica de manter posições em renda fixa de qualidade enquanto o juro real ainda remunera bem, ao mesmo tempo em que seguimos monitorando o ritmo do ciclo de cortes para calibrar o momento oportuno de alongar duration ou aumentar a exposição a ativos de risco. A internacionalização da carteira segue como camada complementar de proteção, dado o grau de incerteza nos mercados globais. Mantemos a estratégia calibrada para o longo prazo.